pampa unión
cicloturismo — do deserto do atacama, no chile, ao altiplano andino, na bolívia.
rota que batizei FANTASMAS DO SALITRE — antofagasta, sierra gorda, calama,
san pedro do atacama, volcán licancabur, laguna verde.
carlos mancuso — carlosmanc@gmail.com
domingo, 28 de março de 2010
domingo, 23 de agosto de 2009
perto do fim
depois explico tudo, agora nao dá tempo.
estou em san pedro de atacama. acho que vou subir para o vulcao e laguna verde amanha, mas nao sei se vou conseguir. vou tentar fazer em um dia porque, se já foi uma experiência terrível dormir com oito graus negativos — que resultou num resfriado que está me atormentando —, nem quero imaginar tentar sobreviver com dezesseis negativos que está fazendo de madrugada lá no alto. um cara daqui me disse que tentou subir pra laguna verde de bike e desistiu no meio do caminho.
esta foto com o vulcao ao fundo é de hoje.
clique nas fotos para vê-las maiores.
depois edito isso tudo.
saudades.



estou em san pedro de atacama. acho que vou subir para o vulcao e laguna verde amanha, mas nao sei se vou conseguir. vou tentar fazer em um dia porque, se já foi uma experiência terrível dormir com oito graus negativos — que resultou num resfriado que está me atormentando —, nem quero imaginar tentar sobreviver com dezesseis negativos que está fazendo de madrugada lá no alto. um cara daqui me disse que tentou subir pra laguna verde de bike e desistiu no meio do caminho.
esta foto com o vulcao ao fundo é de hoje.
clique nas fotos para vê-las maiores.
depois edito isso tudo.
saudades.



terça-feira, 18 de agosto de 2009
as coisas chatas de que gosto tanto
acho que fui injusto com a cidade de antofagasta; agora que anoiteceu, ela me pareceu mais bonita. afinal, essa comunidade sofreu há pouco tempo com um terremoto e, ainda assim, sustentam um ar tranquilo. nao tenho o direito de julgá-los em uma tarde corrida com os sentidos cansados. as meninas sorriem bastante, os homens um pouco menos, mas sorriem na voz. eles têm uma juventude bonita.
a verdade é que voltei aqui na lan house porque estou morrendo de saudade já; por saber que vou subir amanha. estou sentido saudade até do que acho chato, de achar chato. mas eu vim até aqui pra isso.
só queria dizer tchau e "desliga você primeiro"...

a verdade é que voltei aqui na lan house porque estou morrendo de saudade já; por saber que vou subir amanha. estou sentido saudade até do que acho chato, de achar chato. mas eu vim até aqui pra isso.
só queria dizer tchau e "desliga você primeiro"...
antofagasta
tive que pagar duzentos e trinta reais pela bagagem a mais no aeroporto. se levasse uma mulher, sairia quase pelo mesmo preço; ao menos a bicicleta nao come — e, nesse caso, eu também nao como a bicicleta. mas, enfim, nao estou aqui pra reclamar... — mas tenho que desabafar, foi foda carregar a bagagem de cinquenta quilos até achar um hotel e foi mais foda ainda andar por duas horas sem conseguir achar o gás para o fogareiro que nao pode vir no voo, até descobrir que a loja de ferragens que estava fechada reabriria às quatro da tarde. com tudo isso, nao deu tempo de chegar ali na beira do mar pra tirar uma foto — merda.
eu tinha passado vinte e cinco horas com dois sanduichinhos e dois sucos de caixa — nao por culpa minha, mas isso conto depois, pois quase chorei ao notar que nao ia comer — quando amanheceu no deserto e eu estava ao sul do meu destino, no ônibus da tur-bus, a caminho de antofagasta. ficar trinta horas com a bunda sentada — alternando as bandas — em táxi, aviao, ônibus, todos os perrengues, valeu pra ver aquela lua crescente e aquelas montanhas, limpas de humanidade, de selvageria.
antofagasta é uma cidade estranha pra mim. só hoje já a achei uma merda e depois uma cidade gentil, mas feia. muito difícil se virar completamente sozinho, por isso acho que nao fiz fotos empolgantes.
consegui comprar o que me faltava, só que fui ao mercado antes de almoçar, com fome. por esse erro, acho que acabei comprando uns sete quilos de alimentos, um pecado pra quem já estava andando com tanto peso. mas vamos nessa, melhor morrer de cansaço que de fome, sempre. agora nao tenho muito o que fazer, nao gostei da cara da noite por aqui, muitas boates de striptease, com entradas de espelhos, por isso estou escrevendo. vou dormir cedo pra levantar ainda de madrugada, montar tudo e subir. só me preocupa um pouco o que me disse o balconista de uma loja onde perguntei se tinha gás; ele adivinhou que eu estava indo para o deserto e falou de dentro de um quase sorriso — muito frio lá em cima, ¿éin?



eu tinha passado vinte e cinco horas com dois sanduichinhos e dois sucos de caixa — nao por culpa minha, mas isso conto depois, pois quase chorei ao notar que nao ia comer — quando amanheceu no deserto e eu estava ao sul do meu destino, no ônibus da tur-bus, a caminho de antofagasta. ficar trinta horas com a bunda sentada — alternando as bandas — em táxi, aviao, ônibus, todos os perrengues, valeu pra ver aquela lua crescente e aquelas montanhas, limpas de humanidade, de selvageria.
antofagasta é uma cidade estranha pra mim. só hoje já a achei uma merda e depois uma cidade gentil, mas feia. muito difícil se virar completamente sozinho, por isso acho que nao fiz fotos empolgantes.
consegui comprar o que me faltava, só que fui ao mercado antes de almoçar, com fome. por esse erro, acho que acabei comprando uns sete quilos de alimentos, um pecado pra quem já estava andando com tanto peso. mas vamos nessa, melhor morrer de cansaço que de fome, sempre. agora nao tenho muito o que fazer, nao gostei da cara da noite por aqui, muitas boates de striptease, com entradas de espelhos, por isso estou escrevendo. vou dormir cedo pra levantar ainda de madrugada, montar tudo e subir. só me preocupa um pouco o que me disse o balconista de uma loja onde perguntei se tinha gás; ele adivinhou que eu estava indo para o deserto e falou de dentro de um quase sorriso — muito frio lá em cima, ¿éin?



domingo, 16 de agosto de 2009
excesso de bagagem
acabei de organizar tudo com algumas horas de atraso, por isso vou deixar de dar uma boa relaxada antes de ir pro aeroporto — descanso que fazia parte dos planos. parece que o cálculo de tempo necessário para deixar tudo pronto deu certo, mas não, a verdade é que deixo tudo para a última hora, perco o máximo possível em ócio e devaneio.
depois de ir a dezenas de lojas, algumas por várias vezes, consegui todo o sem-número de coisas de que precisava. dispus tudo no chão pra bater com meu bloquinho de anotações. regulei as marchas e freios, adaptei mais três suportes de caramanholas, aquelas garrafinhas — agora são cinco.
comecei a fechar as malas, consegui amarrar os dois alforges com uma corda, assim, tenho agora três volumes pra carregar — três dos grandes.
tenho sentido uma preguiça danada, deve ser porque sei que vou ter que fazer muito esforço nos próximos dias. entretando, estou sentindo uma mistura de ânimo com medo; meu coração está batendo como o de quem acabou de levar um susto.
uma mulher importante disse que se eu faço um blog da viagem, desvirtuo a porra toda — o isolamento voluntário que poderia me ajudar a descobrir o não-sei-o-que que tenho pra me dizer —; não sei se respondi ou só pensei, mas quero que ela entenda que devo manter um contato com o mundo, porque, sem isso, posso me perder dentro de mim e não encontrá-los nunca mais. bem, acho que é isso — ou é mais um exagero meu.
aí está o blog. e, como avisei a alguns, vou tentar colocar fotos quando chegar em cidades habitadas, o que deve acontecer pela primeira vez no próximo sábado ou domingo. se rolar oportunidade, coloco antes. e não se preocupem, vai ser divertido, só não vale fechar os olhos.

depois de ir a dezenas de lojas, algumas por várias vezes, consegui todo o sem-número de coisas de que precisava. dispus tudo no chão pra bater com meu bloquinho de anotações. regulei as marchas e freios, adaptei mais três suportes de caramanholas, aquelas garrafinhas — agora são cinco.
comecei a fechar as malas, consegui amarrar os dois alforges com uma corda, assim, tenho agora três volumes pra carregar — três dos grandes.
tenho sentido uma preguiça danada, deve ser porque sei que vou ter que fazer muito esforço nos próximos dias. entretando, estou sentindo uma mistura de ânimo com medo; meu coração está batendo como o de quem acabou de levar um susto.
uma mulher importante disse que se eu faço um blog da viagem, desvirtuo a porra toda — o isolamento voluntário que poderia me ajudar a descobrir o não-sei-o-que que tenho pra me dizer —; não sei se respondi ou só pensei, mas quero que ela entenda que devo manter um contato com o mundo, porque, sem isso, posso me perder dentro de mim e não encontrá-los nunca mais. bem, acho que é isso — ou é mais um exagero meu.
aí está o blog. e, como avisei a alguns, vou tentar colocar fotos quando chegar em cidades habitadas, o que deve acontecer pela primeira vez no próximo sábado ou domingo. se rolar oportunidade, coloco antes. e não se preocupem, vai ser divertido, só não vale fechar os olhos.

torre punk
vim morar em santa teresa por causa das paineiras, sempre digo. subir os morros da floresta da tijuca pedalando é um puta esforço feliz. mas, numa cidade de foras-da-lei, quase ninguém leva suas bicicletas caras e suas vidas valiosas por lá. o lugar parece-me um segredo paradisíaco. não posso entrar com a bike até debaixo das antenas do sumaré — tem dois cachorros enormes vigiando —, mas pego uma trilha pelo mato e vou até uma torre de energia que gosto, punk, enfeitada com sua plaquinha de caveira, alertando sobre a alta tensão.
vou subir os andes, nossos morros são pequenininhos, mas, pra treinar, bastam.


vou subir os andes, nossos morros são pequenininhos, mas, pra treinar, bastam.


a rosca do pedal esquerdo é invertida
quando era criança, desmontava meus brinquedos pra tentar entender como funcionavam por dentro. uma vez me prometi nunca deixar de gostar de fazer coisas de criança.
outro dia alguém me perguntou por que não levei minha bicicleta na bicicletaria; respondi que não o fiz porque preciso conhecer todo o funcionamento da bike. numa viagem sozinho, isolado, tenho que conhecer e ter experiência da técnica mecânica. comprei ferramentas específicas e comprei tantas peças que agora tenho duas bikes. fiz da sala uma oficina, mas já acabou e está tudo limpo e sem calendário de mulher pelada na parede.

outro dia alguém me perguntou por que não levei minha bicicleta na bicicletaria; respondi que não o fiz porque preciso conhecer todo o funcionamento da bike. numa viagem sozinho, isolado, tenho que conhecer e ter experiência da técnica mecânica. comprei ferramentas específicas e comprei tantas peças que agora tenho duas bikes. fiz da sala uma oficina, mas já acabou e está tudo limpo e sem calendário de mulher pelada na parede.

se beber, não pedale
planejar e descobrir em quantos dias se faz uma viagem assim é uma das tarefas mais difíceis. tinha que reservar os voos e levei dias pra adivinhar o tempo que seria necessário, de forma que eu não perdesse o avião de volta e tampouco ficasse mofando no chile, cansado. cheguei aos números no bar, talvez porque a cerveja tenha me permitido tomar uma decisão, mesmo que enganada. o Ivan fez uma foto para celebrar — com bebida, as fotos são sempre comemorativas.
o grande ditador
sempre quis ter um globo terrestre grande, bonito, base em madeira. mas querer não chega a ser sonhar, porque sonhar é muito mais perigoso. além disso, tinha outros sonhos pra sonhar e a noite era curta.
agora todos temos o google earth de graça, uma realidade que eu nem sonhei e é do caralho. procurei um destino na américa do sul e, depois de ficar entre atacama e machu picchu, escolhi o deserto.

agora todos temos o google earth de graça, uma realidade que eu nem sonhei e é do caralho. procurei um destino na américa do sul e, depois de ficar entre atacama e machu picchu, escolhi o deserto.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009
costurando pra fora
tenho uma máquina de costura, herança de minha mãe, e tenho férias, uma vez ao ano. juntei as duas boas lembranças e projetei e costurei uma mala bike com o material que tinha comprado há mais de dois anos, quando planejava uma viagem de bicicleta para a chapada diamantina. naquela ocasião fui impedido por uma gastrite, provavelmente porque as coisas todas estavam me dando nos nervos — e me queimando o estômago.
agora não sabia aonde queria ir, mas já tinha a mala apropriada.
agora não sabia aonde queria ir, mas já tinha a mala apropriada.















